EM GULA
da primeira vez
que lhe falei Leminski
você me perguntou
se era de comer
e eu não entendi que
estava diante de uma
exímia degustadora
de poemas
domingo, janeiro 28, 2007
sábado, janeiro 13, 2007
RECADO MARÍTIMO
RECADO MARÍTIMO
O bilhetinho em guardanapo,
ele enrolou com esmero e riso.
Pôs na garrafa, então, vazia
do vinho tinto — noite longa!
Lançou-a mar e brisa adentro,
entre soluços rituais,
endereçando à sua dama.
E, assim, no dia que nasceu,
ela encontrou, ao pé da cama,
um beijo bêbado e, ademais,
embrulhadinho e todo seu,
um AMOR em letras garrafais.
O bilhetinho em guardanapo,
ele enrolou com esmero e riso.
Pôs na garrafa, então, vazia
do vinho tinto — noite longa!
Lançou-a mar e brisa adentro,
entre soluços rituais,
endereçando à sua dama.
E, assim, no dia que nasceu,
ela encontrou, ao pé da cama,
um beijo bêbado e, ademais,
embrulhadinho e todo seu,
um AMOR em letras garrafais.
Estive por todo esse tempo ausente graças à condição imprestável em que se encontra meu computador, mas cá estou postando algo "novo" (de aspas irônicas, não pelo tempo em que escrevi, mas pela ironia de se pretender escrever algo que seja novo, no visto de tudo já ter sido usado em algum lugar).
sábado, dezembro 16, 2006
DA SUA VOZ
(para/por causa de Céu)
DA SUA VOZ II
Deita aqui comigo
diz aquilo tudo
que você comprou uma lembrancinha pras meninas
saiu andando da casa de Ana quando ai! cortou o pé
tomou banho gelado fez mal à garganta
três pontos não doeu odeia sangue no calcanhar direito quer ver?
ia sair às três mas sentiu dor de cabeça e dormiu um pouco mais
um bêbado gritou com você e imita a voz dele
e o som da água no banho
(...)
diz aquilo tudo
não importa o conteúdo
o que me encanta é a forma
do seu som
DA SUA VOZ IV
se você cantasse
pr'eu dormir
eu não dormiria
das minhas palavras
DA SUA VOZ I
seu falar é como um rio
fazendo-me de foz
inundação de voz
fico sempre encharcado
e quase morro afogado
por águas tão profundas
seu falar é como um rio
fazendo-me de foz
inundação de voz
fico sempre encharcado
e quase morro afogado
por águas tão profundas
DA SUA VOZ II
Deita aqui comigo
diz aquilo tudo
que você comprou uma lembrancinha pras meninas
saiu andando da casa de Ana quando ai! cortou o pé
tomou banho gelado fez mal à garganta
três pontos não doeu odeia sangue no calcanhar direito quer ver?
ia sair às três mas sentiu dor de cabeça e dormiu um pouco mais
um bêbado gritou com você e imita a voz dele
e o som da água no banho
(...)
diz aquilo tudo
não importa o conteúdo
o que me encanta é a forma
do seu som
DA SUA VOZ III
eu subterrâneo
arquiteto
o céu da boca
sem-teto
galáctica voz
arranha-céu
de Céu
eu subterrâneo
arquiteto
o céu da boca
sem-teto
galáctica voz
arranha-céu
de Céu
DA SUA VOZ IV
se você cantasse
pr'eu dormir
eu não dormiria
DA SUA VOZ V
das minhas palavras
tentei fazer o som
do gosto da tua boca
mas o som do gosto
da tua boca só cabe
nas tuas próprias
e ao lado disso minha
poesia canta funk
sábado, dezembro 09, 2006
NÁUFRAGO
NÁUFRAGO
Pesquei uma letra curva
para a esquerda, meio
angustiado, na água turva
de um rio sem cor.
Um rir despedaçado
que você me causou,
dizendo que toda letra
que minha isca, folha
em branco, pudesse cap
turar seria sempre
peixe morto, foi
a razão da minha lágrima
curvada pra direita
que encheu de tinta
aquele rio sem cor
onde me afoguei
e alguém pescou
este poema a nado,
este poemador,
que nada mais é
do que um poema nada dor.
Pesquei uma letra curva
para a esquerda, meio
angustiado, na água turva
de um rio sem cor.
Um rir despedaçado
que você me causou,
dizendo que toda letra
que minha isca, folha
em branco, pudesse cap
turar seria sempre
peixe morto, foi
a razão da minha lágrima
curvada pra direita
que encheu de tinta
aquele rio sem cor
onde me afoguei
e alguém pescou
este poema a nado,
este poemador,
que nada mais é
do que um poema nada dor.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
TARZAN NO BORDEL
TARZAN NO BORDEL (ou “meu deus, como eu não tenho ninguém!”)
Sentou-se à mesa decidido. Coca-cola, por favor! Não temos esse refrigerante. E qual vocês têm? Nenhum deles. Então vou ficar com sede? Temos cerveja e pinga. Então vou ficar com sede.
Um homem sentou ao seu lado. Vai hoje? O que disse? Vai um hoje? Não estou entendendo. Você é retardado ou o quê? Sou o quê. Vai tomar no cu!
Chamou o garçom mais uma vez. Tem água aí? Você está mesmo com sede. Tem ou não tem? Só da torneira e da privada. Traga-me um copo da torneira.
Copo d’água na mão, levantou-se e foi em direção a um casal que se esfregava numa mesa próxima à dele. Jogou a água no rosto da loira deformada. Você poderia ter sido minha. Você está louco? O que você pensa que está fazendo, mané? Você poderia ter sido minha! Dá um cascudo nele, negão! Eu não sou de ninguém, demente filho da puta! Vai sair na boa ou quer que eu ponha você pra fora daqui na porrada? Calma, Sérgio! Quero que você me ponha pra fora daqui na porrada.
Com a cara inchada e as roupas rasgadas, caído na calçada depois da surra que levara, ouviu o garçom, que viera para acudi-lo: são três reais pelo copo d’água.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
BLOG DE SETE CABEÇAS

A convite da adorável Nanna Branco, hoje um poema meu será postado lá no Blog de Sete Cabeças, então passem em casa! Espero vocês lá. ;)
terça-feira, dezembro 05, 2006
NAMORO VIRTUAL
NAMORO VIRTUAL
você disse que mandaria
seu amor pelo correio
eletrônico e ele veio
amarrado
feito capim no feixe
— caiu na rede é dado
você disse que mandaria
seu amor pelo correio
eletrônico e ele veio
amarrado
feito capim no feixe
— caiu na rede é dado
domingo, dezembro 03, 2006
RETICENTE
RETICENTE
vamos abrir um parênteses
nesses nossos pontos finais
(chega de nós com soantes
perdas das nossas vogais)
vamos abrir um parênteses
nesses nossos pontos finais
(chega de nós com soantes
perdas das nossas vogais)
sábado, dezembro 02, 2006
DEGRAUS A MAIS
DEGRAUS A MAIS
petisco fervente
no meio da tarde
em meras palavras
meias verdades
é chegado o ponto!
é chegado o ponto
crente que nunca
estaria pronto
alguém retirou
minha redoma
não quero que entenda
quero que coma
petisco fervente
no meio da tarde
em meras palavras
meias verdades
quinta-feira, novembro 30, 2006
PILOMBETA E A LUPA MÁGICA
PILOMBETA E A LUPA MÁGICA
domingo, novembro 26, 2006
A TRISTE VIDA DE UM GATO DE RUA
sexta-feira, novembro 24, 2006
SEMIÓTICA
SEMIÓTICA
o reflexo da cor do pato
não é a cor do pato
a cor do pato
não é o pato

não é o pato
pato
não é o pato
o que diabo
é o pato
afinal?
o reflexo da cor do pato
não é a cor do pato
a cor do pato
não é o pato

não é o pato
pato
não é o pato
o que diabo
é o pato
afinal?
segunda-feira, novembro 20, 2006
FESTIM FOOD
FESTIM FOOD
dois pães espremidos
deitados na chapa
fritando os miolos
dois pães espremidos
espremendo espremendo
e eu que tanto esperei
um amor assim farto
melecando o canto da boca
sem guardanapo
quase morro de fome
devorado no prato
pão-dormido pão-duro
feito sangue que talha
espremido espremendo
a mostarda
mas não falha
dois pães espremidos
deitados na chapa
fritando os miolos
dois pães espremidos
espremendo espremendo
e eu que tanto esperei
um amor assim farto
melecando o canto da boca
sem guardanapo
quase morro de fome
devorado no prato
pão-dormido pão-duro
feito sangue que talha
espremido espremendo
a mostarda
mas não falha
sexta-feira, novembro 17, 2006
SÍNDROME DO ESTOU COMO
SÍNDROME DO ESTOU COMO
O poeta estancado:
____— Há dias que
____não escrevo nada,
____nada sinto.
____Estou como
____uma versão piorada
____de mim outro,
____minto:
____estou como
____se nunca houvesse encontrado
____o mim outro
____que, frente ao espelho,
____finto.
O poeta estancado:
____— Há dias que
____não escrevo nada,
____nada sinto.
____Estou como
____uma versão piorada
____de mim outro,
____minto:
____estou como
____se nunca houvesse encontrado
____o mim outro
____que, frente ao espelho,
____finto.
quarta-feira, novembro 15, 2006
FRENTE E VERSOS

DAS INTENÇÕES
— Por que o poema atravessou a rua?
— Porque o sinal fechou.
— Não.
— Para chegar do outro lado?
— Não.
— Porque... porque... porque ele teve vontade!
— Não.
— Ah, desisto. Não sei. Por quê?
— Ele não atravessou a rua!
— Mas isso não faz sentido.
— Dããã! É um poema!
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