IMAGINÂNCIA
Hoje, porém, nasceram as palavras. Elas que vieram dar continuidade à memória que já não se sustenta por si. As palavras aptas a ligar a lembrança ao agora. Elas brotaram brutas e cientes de seu poder. A imagem do som virou letra escrita, assim como a forma do odor e das sensações. Nem mesmo o vulto ou a imagem da imagem resistiu à avalanche destrutiva das palavras, e, caso não se faça algo imediatamente, toda a sua vida está sujeita a se transformar, de um respirar para o outro, em uma inversão perigosíssima do que seria a poesia.