domingo, outubro 08, 2006

MORCEGO

MORCEGO



— Meu trabalho é fazer que a noite me ingresse.

quinta-feira, outubro 05, 2006

UM POUCO DE AFETO II

UM POUCO DE AFETO II


Saíram do cinema sorridentes, como um típico casal de namorados que assiste a um romance e se satisfaz com o previsível final feliz da trama. Porém o que eles haviam visto não era um romance, tampouco teve um final feliz ou previsível, e eles não eram um típico casal de namorados, nem típicos nem namorados. Gargalhavam enquanto trombavam nas pessoas que lotavam o shopping, sem saber o que era mais engraçado: a forma como haviam despistado os amigos que os acompanhavam no cinema ou a incrível cumplicidade que haviam conseguido em tão pouco tempo de convívio, algo em torno de três horas.
Era possível ser feliz. Aprontaram pequenas travessuras, armaram pequenos furtos. Foi uma tarde fabulosa. Quando o sol se punha, visitaram uma exposição de uma artista plástica que estava sendo exibida numa galeria nova, Mônica adorava aquilo e Guto não soube recusar. Encantada que estava com o trabalho da artista desconhecida, Mônica logo a procurou para cumprimentá-la.
— Seu trabalho é magnífico! As cores, a sobreposição de formas, a visão mínima do que é soberbo, o traçado irregular nas...
— Aprecio seus elogios e fico lisonjeada que tenha gostado, minha querida.
J. H. parecia tão plástica quanto sua arte. Trocadilho bobo, visto que o material principal de sua arte era a madeira. Outro trocadilho bobo.
— Eu realmente adorei seu trabalho. Fico surpresa que ainda não a conhecesse.
— E você, meu filho? O que achou das peças?
Guto pigarreou. Deu uma olhada com o canto do olho direito para uma obra ali perto, tentando tirar uma conclusão naquele momento. Mas só conseguia perceber uma caixa vermelha com outras de tom semelhante cruzando umas as outras sem uma função aparente.
— Acho que é algo interessante para se fazer, mas que não entendo o suficiente para julgar.
J. H. sorriu, mas não um sorriso agradável, um sorriso debochado de alguém que acredita saber mais do que o outro. Mônica também sorriu, um sorriso discreto, este sim agradável. Guto não sorriu, nem para acompanhar Mônica naquele jogo de cumplicidade que continuavam travando. Saíram da galeria.
Guto e Mônica se conheceram no shopping naquele mesmo dia. Estava ela com um grupo de três amigas e ele com dois amigos inseparáveis. Sentaram-se em mesas paralelas e trocaram olhares. Hoje em dia é muito fácil: um olha de cá, o outro de lá, então ambos sorriem e em menos de quinze minutos estão beijando na boca. Mônica olhou de lá, Guto de cá, ele sorriu, ela sorriu de volta, ele foi até ela. “Meu nome é Gustavo”, “Oi, eu me chamo Mônica”, “Você também vai ao cinema?”, “Vamos sim!”, “Não querem ir conosco? A sessão já vai começar”, “Pode ser”. Mas não beijaram depois de quinze minutos. É que o filme não deixou, e eles até gostavam de conversar, e até tinham o que conversar, o que não era comum, eles mereciam aproveitar. Então, divertiram-se a tarde toda. Quando saíram do cinema, ela fingiu vacilar sobre a perna esquerda, disse que havia torcido o pé e pediu a Guto que a levasse nos braços. Saíram às pressas e deixaram seus amigos esperando enquanto tentavam dar um jeito naquilo, ainda os fizeram procurar gelo para pôr no tornozelo. Zombaram muito da peça que haviam pregado nos próprios amigos, e só agora, após saírem da galeria e sentarem-se em um banco sob uma fileira de árvores no centro de uma avenida pouco movimentada, eles pensaram em se beijar. Cinco horas depois do primeiro olhar. Isso significava que tinha tudo para ser especial. Era tudo tão maravilhosamente engraçado e real, e sem dor, nem no tornozelo. Beijaram-se.
— Fiquei bestificada com o talento daquela artista plástica.
— Ela é minha mãe, por falar nisso. Ela está com uma doença terminal, um câncer incurável.
— Nossa, não parece!
— Eu sei. Ela disfarça muito bem.
— Não, eu quis dizer que não parece com você. Não parece ser sua mãe.
— Eu sei. Ela disfarça muito bem.
Já no primeiro beijo.

sexta-feira, setembro 29, 2006

NUM AR

NUM AR


eu pensei em te bater
eu pensei em te xingar
por me matar
de frio
mas o que fazer?
como vou chorar
se você sorriu?


Para Fanny, minha amiga de tantas poucas horas.

sábado, setembro 23, 2006

UM POUCO DE AFETO I

UM POUCO DE AFETO I


As luzes acenderam e todos naquela sala, de repente, viram-se despidos. Olhavam-se com um sorriso envergonhado por estarem dividindo um segredo, afinal, todos ali acabavam de tomar conhecimento dos atos selvagens que o criminoso havia cometido impunemente. Todos eram seus cúmplices.
Protegidos pela escuridão, eles observavam Gustavo dilacerar suas vítimas. Jamais poderiam imaginar que aquele garoto pacato, que no fim de todas as tardes declamava poesia para os idosos de um asilo da cidadezinha onde morava, tivesse um instinto tão violento. Encolhiam-se na escuridão, vigiavam cada passo do assassino e de suas vítimas, não faziam nada para interferir, no fundo até vibravam com os atos animalescos do matador. Viram-no torturar um homem da forma mais grotesca: arrancou sua pele com um estilete, quebrou cada dente com um martelo, furou seus olhos com agulhas, costurou sua boca, arrancou cada unha e, finalmente, decepou sua cabeça. Mas as luzes acenderam, e acenderam assim que eles viram algo que confundiu tudo. O que era aquilo que Gustavo estava segurando? A própria cabeça? Não era Gustavo quem matava e devorava os velhinhos do asilo? Foram todos despidos e a sala iluminada. Agora dividiam um segredo e eram todos culpados, sem direito a defesa.
Gustavo estava sentado na terceira fila, repetindo cada frase de efeito que o filme desfilava entre uma morte e outra, nos poemas de seu xará. “Viu só? Todo Gustavo tem algo de artista”, dizia ele orgulhoso de ser homônimo do assassino serial que o filme apresentava, e todos os que estavam consigo riam. Havia uma tensão forte na sala. Nas últimas fileiras as pessoas estavam encolhidas, de olhos esbugalhados, suspirando. Nas cadeiras próximas às paredes, onde ficam os casais que não querem assistir ao filme, era impossível fugir ao clima do ambiente, as tentativas de beijo eram interrompidas por exclamações de surpresa que se espalhavam por todos os lado, e, de tempos em tempos, ouviam-se gritinhos assustados vindos de garotas que logo eram amparadas por seus heróicos namorados. “Se eu fosse mesmo o Gustavo matava essas fresquinhas que se assustam por qualquer bobagem”, um grupo na terceira fila de cadeiras prendeu o riso, produzindo um som parecido com um espirro.
Mas algo nos últimos segundos do filme não condizia com o resto da trama, estavam todos se sentindo enganados por Gustavo, o cruel assassino traíra até mesmo seus cúmplices. As luzes acenderam e todos estavam atônitos. Como um protesto, ou como se não acreditassem que aquilo fosse o fim, a maior parte dos presentes continuaram sentados vendo as letrinhas subindo na tela, esperançosos que Gustavo fosse aparecer ali para esfolar mais alguém, mostrado que, no fim das contas, era ele mesmo o canibal. Mas Gustavo não apareceu, e não haviam mais letrinhas para subir. Os da terceira fila levantaram-se, Gustavo ainda soltou alguma piada tentando fazer com que todos saíssem daquela situação constrangedora de estar se sentindo nu. Quando cruzaram a porta de saída da sala de exibição, viram que já se formava uma fila para assistir a sessão seguinte. Observaram bem aqueles rostos inocentes, futuros assassinos que seriam traídos e acabariam tornando-se os únicos reais culpados de uma série de atrocidades. Matariam sete velhinhos, comeriam parte de seus órgãos internos e, no final, teriam suas cabeças decepadas, seriam despidos e iluminados como num palco de teatro. Estavam prestes a dividir um segredo eterno e sequer se conheciam. Cruel.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Haicai I

Só um oco silêncio

ecoa do que não cri

cri cri cri cri

sábado, setembro 16, 2006

FURTA-COR

FURTA-COR


Assim de negro vestido
um corvo

Sobre minha pele de leo-
pardo que estou

Vou seguindo de sorriso
amarelo

E se perguntam por mim
enrubesço


Difícil me enxergar
Daqui do fim do arco-íris
Com tanto camaleão
Comendo na minha mão

domingo, agosto 27, 2006

DIÁLOGOS

DIÁLOGOS


____Comenta: Há uma linha entre nós dois.
Eu: Não vejo linha alguma.
____Comenta: As linhas invisíveis são as mais difíceis de serem vistas.
Eu: Há uma linha entre nós dois?
____Comenta: Há! E há linhas entre quase todas as pessoas.
Eu: Não quero que haja uma linha entre nós dois.
____Comenta: Não há mais!



Eu: Você demora!
____Tesouro: Mas eu estou aqui.
Eu: Não. Há uma linha entre nós dois.
____Tesouro: Isso não é nada. Eu estou aqui.
Eu: Você não entende... as linhas invisíveis são as mais difíceis de serem vistas.
____Tesouro: Você pode me tocar, não pode?
Eu: Não é tão simples. Há linhas entre quase todas as pessoas.
____Tesouro: E o que faremos? Há algo que possamos fazer para remover esta linha?
Eu: Não há mais!

quinta-feira, agosto 24, 2006

SOM, IMAGEM E DESENHO

SOM, IMAGEM E DESENHO


Faça-me de acento
Em seu grito agudo
´
Insulte-me em tom grave
`
Indicando minha crise
Mas pare neste ponto
.
Tranque-nos a chave
}
Beije-me e trema
¨

sábado, agosto 19, 2006

... DE UM DEUS

canção destinada ao meu destino:




... DE UM DEUS

Intro.: Em Am C B7

Em_______________Am
Mais perigoso que cocaína
e coca-cola
Em______________Am
Mais forte do que heroína
______C_ B7_ (Intro)
o meu herói

Em_______________Am
Mais viciante que chocolate
que chá com leite
Em_______________Am
Mais importante que a via-láctea
_________C _B7_ (Intro)_ Em _Am_ C_ D7
minha via-crúcis

Am________D7
E os meus olhos
___________Em___C7___D7
vermelhos de te ver e procurar
Am________D7______________C
de repente já não conseguem mais olhar pros lados
___Am___________________C_ B7_ Em_ Am
E o que não vejo você quer me dizer
C__B7__Em___Am _C_ B7
me dizer... vem


Em_______________Am
Mais perigoso que cocaína...

E os meus olhos
cansados de te ver e procurar
de repente já não conseguem mais olhar pros lados
___ Am
E o que não vejo você quer me dizer?
______C
Ou sou eu que fantasio coisas
____Am_____________C_ B7_ Em
que nem sequer sabes o quê?
Am_ C__ B7_ Em_______ Am_ C_ D7
não sabes o quê e nem porquê
Am________D7
E os meus olhos...

(Intro)

Eu idealizei você
E foi minha melhor idéia

quarta-feira, agosto 16, 2006

LUCIDEZ

Gente que só a porra naquele ônibus
Amanheceram tudo dormindo...

(Poema endereçado a mim na fala de um louco no ônibus
— olhavam-no com repulsa só por ele ser louco
e por chacoalhar a cabeça como fazem os gatos
mas não percebiam que tudo fazia parte do ritual do pensar
— fiquei lisonjeado!)

sexta-feira, agosto 11, 2006

GUARDA-CHUVAS

GUARDA-CHUVAS


Quando chove, Maceió fica mais colorida do que na primavera. É só sair nas ruas durante um chuvisco para se ver diante de um desfile de guarda-chuvas diversificados e esquisitos, que contrastam com o clima nublado que se reflete nos rostos das pessoas incomodadas pelo frio e pela falta de saneamento que respinga em suas calças.
As ruas do centro da cidade ficam repletas de ofertas tentadoras.
- Temos de todos os preços e tamanhos.
- Eu quero um desses, moço. Quanto é?
- Três pra levar e cinco pra abrir antes!
Tentador! E, onde eles não estão, a tristeza governa. As janelas embaçam em lamento, como se dissessem "saiam daí de dentro, venham contemplar a chuva!". E os que não se sentem atraídos pela solidão trancafiada estão embaixo de algum destes guarda-chuvas. Zeca Baleiro canta "amores secretos debaixo dos guarda-chuvas" e eu me pego imaginando toda a beleza mística deste objeto. É incrível como todos se tornam misteriosamente atraentes quando sob esse inventivo instrumento.
Guarda-chuvas grandes, pretos, pontudos e de cabos sinuosos sobre as cabeças de pessoas sérias. Sombrinhas floridas sustentadas por mulheres sorridentes. Cor-de-rosa, azul e estampado. São verdadeiros desfiles ao ar livre, os dias de chuva. Alguns deles são enormes, mas com uma única pessoa embaixo, e outros minúsculos protegendo duas ou mais. Não há dúvida de que eles possuem um poder de unir as pessoas. O número de abraços cresce consideravelmente durante os dias de chuva devido à aproximação necessária para que duas pessoas abrigadas sob o mesmo guarda-chuva não se molhem. São verdadeiros criados do amor, os danados!
Nosso guarda-chuva pode falar muito da gente. O meu, por exemplo, é pequeno, preto e barato. Quando bate um vento qualquer, por mais fraco que seja, ele já ameaça desmontar. Em uma semana de uso ele já havia desbotado e quebrado um dos talos da sua armação. Ele não consegue me proteger se a chuva é forte. Meu guarda-chuva me denuncia.

sábado, agosto 05, 2006

ELETRICIDADE

eletricidade



ELETRICIDADE
Para Luciana


________do teu cabelo voam
____fios de alto tesão
________que colam em minha boca
____tomada de paixão


________lâmpada orgânica
____________e dor elétrica!



Alguns versos são links para fotos que tirei inspirado na poesia, basta clicar e conferir!

domingo, julho 30, 2006

ECLIPSADO

ECLIPSADO


Eu não te suprimo
quando te exprimo

Tu não és supremo
quando te espremo

O que dizia?
Tu sóis: fugaz
Eu luas: de perdas
Nós eclipses: gases de pedra

domingo, julho 23, 2006

P A L A V R A D O R

P A L A V R A D O R


palavra que larva
dor

lavrador que sou
plantei em mim
um dicionário
univocábulo

palavra: dor
substantivo sujeito
a traças

sexta-feira, julho 21, 2006

ELOGIOS

ELOGIOS
(Para Isabella)


— Ai que bom que você chegou, não via a hora de falar contigo!
— Por que você escolheu esse restaurante? É tão sem cor...
— Venha, sente-se. Não importa o restaurante, eu preciso te contar uma coisa...
— Você ainda não pediu nada pra beber?
— Eles estão trazendo vinho.
— Que bom!
— Amiga, o Caio foi embora e levou todas as coisas dele, estou perdida.
— Sério?
— Sim, foi ontem durante a noite...
— Que horror! Nossa, será que vão demorar muito a trazer esse vinho? Estou morrendo de sede.
— Ele disse que estava se sentindo sufocado.
— Sei... espera. Garçom!
— Pois não, senhora?
— Você pode me trazer o cardápio junto com o vinho que já pedimos?
— Claro. Só um instante.
— Acho que conheço esse garçom de algum lugar.
— Amiga, o que eu faço? Eu não consigo viver sozinha naquela casa. Ele levou a televisão também...
— É complicado...
— E este problema de desemprego, você sabe, como vou me sustentar?
— Aqui está o cardápio, senhora. E o vinho.
— Obrigada. Hum... muito bom vinho!
— Qualquer coisa é só me chamar.
— Adorei esse garçom. Mas continue, amiga, o que você falava mesmo?
— Eu disse que não sabia como me sustentar. Você bem que podia tentar arrumar um emprego pra mim lá na fábrica do teu pai, né?
— Papai anda distante, não me ouve. Mas você pode ir morar lá em casa.
— Não sei. Se ao menos meus pais me aceitassem de volta, mas quando liguei pra eles meu pai lembrou-me aos gritos que havia me expulsado de casa e não aceitava devoluções.
— Porco.
— Meu pai?
— Não, pra comer. Eles não servem porco?
— Não, Rebeca. Isso é um restaurante de comida japonesa.
— Ah! Por que viemos pra cá?
— Esqueça o restaurante. Eu, na verdade, só queria que o Caio voltasse. Não preciso sair daquela casa, só preciso que ele volte.
— Mas se ele estava se sentindo sufocado... nossa, eles têm bolinhos de arroz! Eu adoro bolinhos de arroz! Vou pedir dezenas desses. Garçom!
— Não tenho apetite.
— Ele deve ter outra.
— Quem? O Caio?
— Claro! De quem estamos falando?
— Já nem sei mais, amiga.
— Ele é tão fofinho!
— Eu sei, eu o amo.
— Estou falando do garçom. Garçom!
— Posso ajudá-la, senhora?
— Sim! Nós queremos cinco desses bolinhos de arroz e os melhores peixes crus que vocês tiverem para nos servir.
Sushi?
— Cinco!
— Não demoraremos a trazer.
— Obrigada.
— Meu Deus... será que foi aquela biscate do escritório dele?
— Secretária?
— Sim.
— Sem dúvida! Eles adoram secretárias.
— Vou matar ela! Estou desnorteada.
— Gostou do meu cabelo?
— Seu cabelo?
— É. Mudei um pouco o penteado. Puxei mais pra esquerda, vê?
— Aham...
— Está lindo, eu sei!
— Rê, eu tenho que dar um jeito na minha vida. Estou muito dependente deste homem!
— Espera, vou no banheiro e já volto!

(Quinze minutos depois)
— Por que você está chorando, amiga? Aconteceu alguma coisa enquanto eu saí?
— Meu mundo desmoronou... sou praticamente uma indigente!
— Não fica assim... e essa comida que não chega!
— O que eu faço? Não sei trabalhar em nada!
— Já sei! O cabaré!
— O quê? Você está enlouquecendo, Rebeca!
— Não. Lembra que uma vez fomos atrás do meu irmão no cabaré pra avisar que a mulher dele havia descoberto sua infidelidade?
— Onde você quer chegar?
— Foi lá que eu vi esse garçom! Acho que ele é amigo do Gu.
— Rebeca, minha vida está estraçalhada e você fica pensando nessa merda desse garçom!
— Calma amiga, também não é pra tanto.
— Não é pra tanto? Fui abandonada pelo homem que amo, minha família não me aceita de volta, minha melhor amiga não me ouve, não sei trabalhar em nada e meu cartão de crédito estourou. Minha geladeira só tem luz. Não tenho o que comer em casa!
— Peraí, amiga. Você não tem dinheiro pra pagar a conta do restaurante?
— Não tenho uma moeda sequer!
— Ave Maria! Vamos embora que eu não trouxe o cartão de papai!