sexta-feira, maio 30, 2008

CINEMA II

CINEMA II



A vida é uma tragédia simplória:
_________todos morrem no final.

sexta-feira, maio 09, 2008

CINEMA I

CINEMA I



nosso drama
debochado
sobre a cama
desforrada
causou risos
e assovios
nos cinemas
vazios

nem os espíritos
que sucumbiram
à melancolia
de viver
souberam conter
a ironia
ou sequer chorar
nossa alegria

re-cor-ta-da

quarta-feira, abril 30, 2008

AUTO-EUFEMISMO

AUTO-EUFEMISMO



Quero que em minha lápide
rabisque, contente, qualquer criança
com graveto ou alegre lápis de
cor azul celeste:
“aqui jaz uma lembrança”.

E que a luz do pensamento infeste
de poemas e simpatia os ais
que hão de chorar meus pobres entes
e zombar meus vizinhos imortais.

sexta-feira, abril 25, 2008

AUTO-NEOLOGISMO

AUTO-NEOLOGISMO


sou o culto do imprestável soberano:
no espírito trago calos
coração calado engano

quinta-feira, março 06, 2008

UNE VERSOS

UNE VERSOS



...

todo

um

é

um

todo

...

segunda-feira, março 03, 2008

.III

O que desconfio, ninguém prova.


__O que silencio, ninguém prosa.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

QUINZE

QUINZE


Nosso dia:
a realidade pesa
tanto que fantasia.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

EXPOSIÇÃO DE LEÔNIA

EXPOSIÇÃO DE LEÔNIA



Leônia sente muito
prazer
em desprezar o que ama
profundamente
por um dia

Leônia empilha os cacos do seu passado
em grandes montes de decepções
que larga pelas ruas
como rastro

Satélites curiosos
estudiosos do coração desprecedente de Leônia
captam expressiva arte moderna
de lágrimas solitárias gozos fúteis
e risos sarcásticos
nas ruas descartadas
do mapa mundi
de Leônia

O oceano de lixo fomentado por Leônia
sofre duríssimos terremotos
enquanto ela sorri de seu casulo

A alma de Leônia é inabalável
porém seu corpo sofrerá duras deformidades
com o advento da Grande Catástrofe
a qual transformará todo o universo de presentes de Leônia
numa descomunal avalanche de passados reprimidos

terça-feira, janeiro 29, 2008

Haicai II

Vivo o ilógico passado:
quanto mais longe,
ao lado.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

A-MAR

A-MAR


o mar em meus olhos
___está concentrado
como um pingo
___em corpo plano

inconsciente
___eu te oceano

terça-feira, janeiro 08, 2008

INVASIVO

INVASIVO

Quando parei frente ao espelho pela última vez, ele, a imagem refletida, não me olhava. Olhava para ele, o outro eu, e para ele eu parara de olhar. Foi naquele exato e fugaz momento de estupidez que minha sanidade se deu conta de sua demência ao manter uma imagem dupla involuntária. Meu espelho o abraçava e, aos poucos, rachava-se. Admirei-me dividido em minúsculos eus, espalhados por aquele imenso corpo de vidro, e eus o abraçavam amorosamente; minhas palavras na boca do meu duplo.
Meçamos, então, a fatalidade deste caso: um espelho que me reflete desprende-se de mim e retoma uma vida por mim abandonada. Quem guia o espelho? Minha imagem ou sua estrutura? Qual de nós ele há de querer? E qual realmente vê?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

AMOR DO MUNDO

AMOR DO MUNDO


Intro.: C9 D/F# A9 F6

(C9 D/F# A9 F6)
a lua virou holofote
teu corpo virou meu bote
_______________________Dm7 Am7
minhas mais recentes lembranças
Em7 ________FM7
viraram toda minha vida

a boca virou imã
teu nome virou rima
teu sorriso virou meu
descanso onde a tarde dorme

silêncio virou confissão
certeza talvez não
o toque da tua mão
virou cura pra minha vaidade

Dm7 Am7 CM7 Dm7 CM7 Am7
só posso ser um sendo teu
Dm7 CM7 Am7 Dm7 Am7 CM7
só vejo o mundo quando teu
e sou só meio, se não for teu
pra ser inteiro só sendo tu
a razão, perco se não te vejo
pra ser eu mesmo só sendo teu

G7 ____________F7 ____Em7
o meu tesouro você me deu
___________F
e eu pergunto:
G7__ Bb7_ F7 ____Am7 __G7____ F7 ___C
onde guardar o amor de todo o mundo?

segunda-feira, dezembro 31, 2007

DESEJOSO

DESEJOSO


quero-te para choque
para chocolate, para
cara a cara
meu topázio, ônix
minha jóia rara
minha cara fênix
quero-te para o pó
para o posso tudo ou nada
quero-te por perto
quero-te concreto
quero te ser, ave
teu reflexo, reflito
não te quero para entrave
quero-te para atrito

quinta-feira, dezembro 27, 2007

.I

A chuva me prende ao beiral do abandono.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

MOONLHER

MOONLHER
para Sâmalla



tu tens o mar no teu quarto
que amanhece sempre que te acordas
espalhando conchas sobre a cama
e areia no chão que pisas descalça

o céu pousa em teus cabelos vermelhos
e é aurora teu olhar sonolento
toda a maresia se concentra no teu hálito
quando falas tal qual uma gaivota sorridente

há ondas que se formam nas curvas da tua cintura
e vêm quebrar na tua virilha
assanhando as algas das tuas costas
e brincando nas tuas cavidades submersas

e, quando adormeces, eis o crepúsculo!
é nesta hora que toda a natureza paira
e observa o quanto deus foi sábio
restringindo a imensidão às extremidades do teu corpo