quinta-feira, julho 17, 2008

MEP I

MEMÓRIAS ESDRÚXULAS DE UM POETAZINHO



I


mamãe me gritou no portão Sai
daí que quase que só tem escuro
pisei no pé do escuro e corri
o mais rápido que pude
desde aquela todas as noites
ele sussurra uma vingança
embaixo da minha cama

quarta-feira, julho 02, 2008

DESPINA & A CONFICÇÃO

DESPINA & A CONFICÇÃO



oceanos indico
com os olhos mareados
desmanchando neste deserto
oceanos passo e fico
a vislumbrar a imensidão
ondulada
do teu navio distante
no qual ancoro
e me indigno
enfureço e coro
por jamais tocar
a margem da tua
miragem

existes assim
quando longe
de mim

cordilheiras andes
com teus cascos descalços
e tuas bossas dançantes
sobre as costas
então me arrebate
deste infinito
azul
deste calado alarde
deste balde profundo
quase que te sinto
cheiro de areia
quase que te troco
mas, quanto mais te chego
mais mar me sereias

existes assim
quando longe
em mim

SOBRE O CLICHÊ

SOBRE O CLICHÊ


acontece em mim,
se de perto vês
o que escondo em meu âmago:

borboletas bêbadas
piruetam no céu
da boca do estômago.

sexta-feira, maio 30, 2008

CINEMA II

CINEMA II



A vida é uma tragédia simplória:
_________todos morrem no final.

sexta-feira, maio 09, 2008

CINEMA I

CINEMA I



nosso drama
debochado
sobre a cama
desforrada
causou risos
e assovios
nos cinemas
vazios

nem os espíritos
que sucumbiram
à melancolia
de viver
souberam conter
a ironia
ou sequer chorar
nossa alegria

re-cor-ta-da

quarta-feira, abril 30, 2008

AUTO-EUFEMISMO

AUTO-EUFEMISMO



Quero que em minha lápide
rabisque, contente, qualquer criança
com graveto ou alegre lápis de
cor azul celeste:
“aqui jaz uma lembrança”.

E que a luz do pensamento infeste
de poemas e simpatia os ais
que hão de chorar meus pobres entes
e zombar meus vizinhos imortais.

sexta-feira, abril 25, 2008

AUTO-NEOLOGISMO

AUTO-NEOLOGISMO


sou o culto do imprestável soberano:
no espírito trago calos
coração calado engano

quinta-feira, março 06, 2008

UNE VERSOS

UNE VERSOS



...

todo

um

é

um

todo

...

segunda-feira, março 03, 2008

.III

O que desconfio, ninguém prova.


__O que silencio, ninguém prosa.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

QUINZE

QUINZE


Nosso dia:
a realidade pesa
tanto que fantasia.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

EXPOSIÇÃO DE LEÔNIA

EXPOSIÇÃO DE LEÔNIA



Leônia sente muito
prazer
em desprezar o que ama
profundamente
por um dia

Leônia empilha os cacos do seu passado
em grandes montes de decepções
que larga pelas ruas
como rastro

Satélites curiosos
estudiosos do coração desprecedente de Leônia
captam expressiva arte moderna
de lágrimas solitárias gozos fúteis
e risos sarcásticos
nas ruas descartadas
do mapa mundi
de Leônia

O oceano de lixo fomentado por Leônia
sofre duríssimos terremotos
enquanto ela sorri de seu casulo

A alma de Leônia é inabalável
porém seu corpo sofrerá duras deformidades
com o advento da Grande Catástrofe
a qual transformará todo o universo de presentes de Leônia
numa descomunal avalanche de passados reprimidos

terça-feira, janeiro 29, 2008

Haicai II

Vivo o ilógico passado:
quanto mais longe,
ao lado.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

A-MAR

A-MAR


o mar em meus olhos
___está concentrado
como um pingo
___em corpo plano

inconsciente
___eu te oceano

terça-feira, janeiro 08, 2008

INVASIVO

INVASIVO

Quando parei frente ao espelho pela última vez, ele, a imagem refletida, não me olhava. Olhava para ele, o outro eu, e para ele eu parara de olhar. Foi naquele exato e fugaz momento de estupidez que minha sanidade se deu conta de sua demência ao manter uma imagem dupla involuntária. Meu espelho o abraçava e, aos poucos, rachava-se. Admirei-me dividido em minúsculos eus, espalhados por aquele imenso corpo de vidro, e eus o abraçavam amorosamente; minhas palavras na boca do meu duplo.
Meçamos, então, a fatalidade deste caso: um espelho que me reflete desprende-se de mim e retoma uma vida por mim abandonada. Quem guia o espelho? Minha imagem ou sua estrutura? Qual de nós ele há de querer? E qual realmente vê?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

AMOR DO MUNDO

AMOR DO MUNDO


Intro.: C9 D/F# A9 F6

(C9 D/F# A9 F6)
a lua virou holofote
teu corpo virou meu bote
_______________________Dm7 Am7
minhas mais recentes lembranças
Em7 ________FM7
viraram toda minha vida

a boca virou imã
teu nome virou rima
teu sorriso virou meu
descanso onde a tarde dorme

silêncio virou confissão
certeza talvez não
o toque da tua mão
virou cura pra minha vaidade

Dm7 Am7 CM7 Dm7 CM7 Am7
só posso ser um sendo teu
Dm7 CM7 Am7 Dm7 Am7 CM7
só vejo o mundo quando teu
e sou só meio, se não for teu
pra ser inteiro só sendo tu
a razão, perco se não te vejo
pra ser eu mesmo só sendo teu

G7 ____________F7 ____Em7
o meu tesouro você me deu
___________F
e eu pergunto:
G7__ Bb7_ F7 ____Am7 __G7____ F7 ___C
onde guardar o amor de todo o mundo?